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CAPÍTULO III

Neste capítulo, mostraremos algumas reflexões e conhecimentos do controle emocional, sob a ótica da abordagem cognitiva-comportamental e da neurociência. Outras ciências inusitadas também servirão de base como a Física quântica, as artes milenares da Meditação e do Yôga. 

Com a união dos conhecimentos que hoje estão disponíveis, podemos implementar uma reeducação de comportamentos e atitudes para encontrar uma forma mais harmônica e inteligente de conduzir nossos veículos e vidas. Ao longo do último capítulo, organizamos algumas rotas que conduzem as respostas emocionais no trânsito e como podem gerar uma cadeia de risco que compromete a segurança e a saúde física e mental dos condutores. O caro leitor poderá conhecer o processo que denominamos de educação emocional no trânsito. Este método é desenvolvido a mais de uma década em pesquisas teóricas que a partir do ano de 2004 começaram a ser implantadas em laboratórios com os condutores e deram origem ao Programa de Educação Emocional no Trânsito – PEET.

Este capítulo será muito bem aproveitado para servir de base para aplicações práticas e direcionadas aos condutores em forma de palestras, cursos, workshops e dinâmicas de grupo. Mas para um condutor atento que se interesse pelo assunto, esta compilação trará uma nova visão e mudança de atitude no trânsito. 

TEXTO ORIGINAL: “Educação Emocional no Trânsito: o medo e raiva dos condutores”. Capítulo I. Página: 141.


EDUCAÇÃO EMOCIONAL NO TRÂNSITO: UM NOVO PARADIGMA NA EDUCAÇÃO DE TRÂNSITO DO BRASIL 

A educação emocional é o processo de treinamento ou reeducação das emoções para a conquista da inteligência emocional. Os objetivos principais deste conhecimento se traduzem em desenvolver a capacidade do indivíduo conhecer, interpretar e administrar as emoções em si mesmo e no outro. A desenvoltura da motivação, humor, empatia e paciência está embutida neste processo e pode muitas vezes, ajudar o indivíduo a gerir conflitos também em outras situações e ser muito útil para entender suas motivações e direcioná-las positivamente. 

Conceito - Educação emocional no trânsito é o processo de desenvolvimento de habilidades emocionais para o trânsito, envolvendo a autopercepção e o controle emocional, bem como o altruísmo, a empatia e a cooperação para a prevenção de acidentes, infrações, conflitos e/ou manejo do stress, saúde e qualidade de vida dos condutores.

A educação emocional é um novo paradigma na atividade pedagógica e andragógica em vários ramos da atividade humana. Pedagogia vem do grego paidós, significa criança. Como já sabemos, é a ciência de orientação e educação para crianças. Andragogia é o que Malcolm Knowles na década de 1970 definiu como a arte ou ciência de orientar adultos.

Esta atividade requer estratégia específica porque o indivíduo formado já possui um série de valores estruturados. Isto se refere aos diferentes estilos de educação que já internalizamos como a educação escolar, a doméstica e principalmente a de trânsito. Portanto, seria mais adequado que chamássemos a nossa proposta de “reeducação emocional”. Reeducar as emoções para o trânsito, já que tivemos um grande aprendizado: aprendemos como fazer as manobras, como executar as ultrapassagens e a interpretar a sinalização viária. Porém, também aprendemos desde cedo a pôr em prática a raiva que se traduz na agressividade cotidiana. No trânsito, se traduz em estressar-se e estressar os outros condutores e muitas vezes infringir as regras com “o jeitinho brasileiro”, talvez porque também aprendemos que no trânsito estamos anônimos, envoltos em nossa armadura de lata assim como os outros condutores sem rosto e identidade.

Estes desvios de conduta também são aprendidos com as figuras representativas da nossa experiência infantil quando presenciamos nossos pais e outros adultos expressarem a raiva e as frustrações no trânsito. Este é considerado o nosso primeiro aprendizado emocional, um aprendizado que já faz parte da formação do indivíduo e por este e outros motivos, é um grande desafio reeducar essas emoções que já “aprendemos” a expressar inadequadamente no trânsito. A educação emocional se faz necessária não somente para “desaprender” as emoções e comportamentos inadequados, mas também se faz conveniente principalmente num momento tão conturbado em que os comportamentos desviantes nos assaltam nas manchetes dos jornais: assassinatos por motivos fúteis, vandalismo, terrorismo e violência. Estes eventos são situações relacionadas ao tédio, incompreensão, intolerância e, acima de tudo, ao descontrole da ira. 

Se por um lado, reeducar as emoções pode ajudar aos indivíduos a lidar com seus impulsos e também os violentos, por outro, poderá também, proporcionar os caminhos mais breves para as vitórias. Executivos, empresários, professores e muitos outros profissionais já entenderam como a inteligência emocional pode impulsionar suas chances rumo à excelência e ao sucesso. Como exemplo disso, existem inúmeros livros e artigos que tratam do assunto com muitas contribuições para organizações, psicoterapia e educação no mundo inteiro. Educar as emoções para o trânsito é um novo horizonte na formação do homem e sua interação repleta e íntima com o trânsito. Isto significa a possibilidade de um ser humano dotado da capacidade de relacionamento mais saudável, sem agressão ou descortesia. Terá um comportamento ao volante mais seguro, pois será capaz de dominar os seus impulsos e motivações negativas, concentrando a sua atenção nas manobras e nos outros condutores e pedestres.

A empatia, característica das pessoas inteligentes, fará emocionalmente com que este mesmo ser/condutor sempre esteja se pondo no lugar dos outros e interagindo de forma positiva também.

É de extrema importância alertar a nova “safra” de condutores para os grandes desafios que o trânsito irá demandar para o homem moderno. Devemos cuidar para que eles não se tornem cidadãos adaptados à violência do trânsito. Congestionamentos gigantescos, falta de espaço, imprudências de pedestres e condutores agressivos, assaltos, acidentes e aquecimento global. Se a nossa geração não se unir para desacelerar este ciclo de violência, será a maior vitima dos condutores do futuro que não respeitarão as regras e levarão toda a sua raiva para o trânsito. Seremos idosos que não estarão seguros nas ruas e sabemos que isto tem um custo muito alto para a qualidade de vida e saúde das pessoas. Todos esses fatores tendem a diminuir a qualidade de vida da população, comprometendo a saúde física e mental de todos os usuários das vias urbanas. Como poderemos superar estes problemas? A educação das emoções não é uma resposta para tudo, mas será uma resposta imediata e eficiente porque trata de intervir na raiz do problema: dentro de nós mesmos.

Permitida a reprodução do trecho.

Cite a fonte corretamente: RAMALHO, Rodrigo L. Educação emocional no trânsito: o medo e a raiva dos condutores. Salvador: Ideia no papel, 2011. p. 141-143.