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CAPÍTULO II

Neste capítulo, iremos entender como as emoções interferem no trânsito, já que no capítulo anterior nos interamos dos alicerces do comportamento emocional. Existem muitos fatores que concorrem para os comportamentos inadequados dos condutores, como a impunidade, a cultura, a má formação, entre outras situações. Porém, o foco deste trabalho é desvendar o condutor emocional: um condutor cheio de desejos, expectativas, motivações e medos, comuns a todos os seres humanos. O problema, geralmente, é quando este condutor leva esses componentes emocionais para o ambiente conflituoso do trânsito. No entanto, muitas vezes é o ambiente que cria um terreno fértil para o descontrole emocional.

Independente das fontes de ansiedade - se no trânsito ou dentro de nós – as respostas emocionais têm motivado um verdadeiro festival de imprudências e comportamentos de risco que culminam em mortes. Não é exagero dizer que as emoções no trânsito podem matar. Isto pode ocorrer quando um condutor experimenta as sensações excitantes da velocidade e provoca um acidente fatal. Poderá ocorrer também quando, irado, não hesita em apertar o gatilho em uma briga de trânsito (o que tem ocorrido com muita frequência). Em ambas as situações, um componente emocional nocivo está presente, dando impulso aos comportamentos perigosos e até criminosos.

Nas próximas páginas, iremos investigar quais sãos as rotas que nos levam às respostas emocionais no trânsito. A partir deste ponto, poderemos compreender como as emoções também estão inseridas na estrutura complexa de acidentes/infrações, conflitos violentos e do comprometimento da saúde e qualidade de vida do condutor. Estes são os princípios que regem o conteúdo de nosso estudo sobre o comportamento humano no trânsito, sob a ótica das emoções. Nesta primeira etapa, iremos desenvolver uma análise das rotas para as respostas emocionais e aplicar estes conceitos para identificá-los na dinâmica das disfunções do trânsito. Através da construção de cenários que simulam as situações de tráfego, apresentaremos alguns modelos teóricos que se propõem a prever, observar, descrever e desmotivar (fase posterior, Capítulo III) os comportamentos identificados de alto risco no trânsito. 

TEXTO ORIGINAL: “Educação Emocional no Trânsito: o medo e raiva dos condutores”. Capítulo II. Página: 53.



RESPOSTAS EMOCIONAIS E A CADEIA DE RISCO NO TRÂNSITO

Os modelos que iremos apresentar mais adiante provocam nos condutores respostas emocionais que promovem uma sucessão de eventos que chamaremos de cadeia de risco. As respostas emocionais no trânsito podem gerar uma variada gama de comportamentos de risco, com fechadas, ultrapassagens perigosas etc. Estes comportamentos inadequados, por sua vez, geram uma situação de risco, que se traduz na iminência de um acidente, cometimento de uma infração ou em um conflito com outros condutores, além de haver uma sobrecarga nos sistemas fisiológicos do indivíduo que o expõe a situações de risco para sua saúde física e mental. Este processo de transição das emoções do ambiente interno do condutor para o ambiente da via (externo) poderá promover uma cadeia de risco que será detalhada na Figura 27 e nos textos a seguir.

Figura 27: Modelo da cadeia de risco no trânsito deflagrada por respostas emocionais dos condutores.

Diversas atitudes inadequadas compõem os comportamentos considerados de risco. Podem ser de natureza intencional ou não. Na direção de veículos, os condutores iniciam comportamentos de risco quando cometem erros: “falha de ações planejadas para alcançar determinados resultados desejados sem a intervenção de um fator imprevisível” ou quando cometem violações que parecem ações planejadas: “infração deliberada de algum código de comportamento regulamentado ou socialmente aceito” (PARKER, Reason et al., 1995 Apud MONTEIRO; GÜNTHER, 2006). 

A seguir, o detalhamento de cada consequência provocada pelos comportamentos de risco quando os condutores apresentam respostas emocionais:

Respostas emocionais e comportamentos de risco que promovem acidentes e infrações

As respostas emocionais no trânsito podem motivar um leque extenso de condutas e atitudes que comprometem a segurança viária. Isto se traduz nos principais comportamentos de risco:

a) Excesso de velocidade - competição, medo de atrasos, raiva dos obstáculos;

b) Diminuição das distâncias de segurança dos outros veículos frontal e lateral - competição, medo de atrasos, aproximação para agressão;

c) Frenagens bruscas - demonstração de agressividade;

d) Avanço de sinal vermelho - pressões de (medo) tempo e/ou raiva de obstáculos;

e) Desrespeito a faixas de pedestres e cruzamentos - competição, medo de atrasos e/ou raiva de obstáculos;

f) Movimentos agressivos e irregulares na direção dos veículos - a comunicação das emoções sentidas pode expressar alegria, medo e raiva para outros condutores e pedestres e/ou passageiros que estão no próprio veículo;

g) Condução fora de postura adequada - ergonomia insegura;

h) Menor nível de atenção operacional - atenção voltada para as emoções e o estímulo que a causou;

i) Trafegar mais lentamente à frente de outro condutor - com objetivo de irritar ou provocar colisão (revanche, provocação, agressão leve);

j) Comportamento de revanche com “fechadas”- (agressão, revide);

Diante de tantos possíveis comportamentos inseguros, as situações de risco serão muito mais presentes e precedem o acidente que será muito mais possível nestas situações, considerando que uma infração é a “inobservância a qualquer preceito da legislação de trânsito, às normas emanadas do Código de Trânsito do

Conselho Nacional de Trânsito e à regulamentação estabelecida pelo órgão ou entidade executiva do trânsito” (CTB - Lei Nº 9.503/97).  Todos os comportamentos de risco serão alencados também como infrações porque o capítulo XVIII (que trata do tema das infrações) do CTB é pautado na larga experiência de acidentes e segurança viária, inclusive de vários outros países. 

Portanto, são regras na verdade que disciplinam os condutores a conduzirem de forma segura para evitar acidentes e manter a boa fluidez do trânsito. O componente emocional pode influenciar ou mesmo ser decisivo para um comportamento de risco que envolve a velocidade, por exemplo.

Este comportamento pode claramente desencadear um acidente, embora já seja uma infração (Art. 218 do CTB). Isto pode ocorrer quando o condutor sente medo do tempo, quando sente raiva de obstáculos ou nas emoções positivas como a alegria que se conecta com as buscas de sensações excitantes da velocidade e do risco. Quais destas emoções este condutor expressava momentos antes deste acidente? 

Nesta colisão, que vitimou um jovem condutor de 24 anos no Rio de Janeiro, as emoções pareciam conduzir seu ritmo de tráfego (em alta velocidade), tanto que na traseira de seu carro havia um adesivo com a frase em inglês: "Se não gosta do modo como dirijo, mantenha-se fora da calçada". Um comportamento extremamente agressivo disfarçado em língua estrangeira que causou um resultado de um acidente que já fora anunciado pelo próprio condutor.

Figura 28: Jovem morre em acidente de carro na Rua São Clemente, em Botafogo. Ano: 2010. Foto: Fernando Quevedo/ O Globo. 

Respostas emocionais e comportamentos de risco que promovem conflitos no trânsito

Figura 29: Acidente de trânsito termina em briga e fecha a Rua Boa Vista, no centro de São Paulo. Fonte: G1.com. Foto: Leandro Nunes.

As respostas emocionais também podem ser determinantes para comportamentos de risco que promovam um conflito violento no trânsito: 

a) Excesso de velocidade – pode ocorrer na competição com outros condutores; altas velocidades também estão conectadas com a expressão das emoções positivas que impelem ao prazer e sensações excitantes, como “aventura” e “adrenalina”;

b) Gestos e movimentos não finalísticos - protesto, reclamação, indignação;

c) Buzinar agressivamente - por tempo prolongado, assim como de forma intermitente;

d) Trafegar mais lentamente - a fim de irritar o outro condutor que o segue (revanche, provocação, agressão leve);

e) Gritar com xingamentos (não direcionado) - protesto, reclamação;

f) Acelerar agressivamente - ameaça ou defesa;

g) Deboche e ironia - sarcasmo, críticas em relação ao desempenho, manobra ou qualquer outra característica do condutor;

h) Gestos obscenos - revide, crítica, reclamação, resposta agressiva quando ocorre a repreensão de erros ou acusações justas ou injustas;

i) Rir ou ridicularizar o outro condutor - sarcasmo, ironia, bullying;

j) Colocar parte do corpo para fora do veículo para discussão;

l) Manter-se imobilizado à frente de outro veículo - mais do que o tempo necessário para impedir sua passagem em manobras, semáforos e outras situações (revanche, provocação, ironia);

m) Comportamento de revanche com “fechadas”- (agressão, revide);

n) Frear perigosamente - na frente de outro condutor a fim de provocar susto ou mesmo acidente (revanche, agressão, crítica);

o) Emparelhar o veículo ao lado de outro para discussão - pode ser com os veículos em movimento ou não e tem como objetivo manter ou provocar discussão e/ou agressões verbais;

p) “Fechar” outros veículos - atravessar o veículo transversalmente na frente de outro a fim de provocar uma colisão (protesto, revanche, agressão);

q) Agressão verbal - xingamentos, acusações e calúnias;

r) Saltar do veículo para ameaça com arma branca ou com objeto  - intimidação, ameaça ou defesa;

s) Saltar do veículo para ameaça com arma de fogo - intimidação, ameaça ou defesa;

t) Agressão física - soltar do veículo para agressão física com lesão corporal intencional (raiva, agressão, revanche, provocação);

u) Homicídio com arma branca ou de fogo - Este é o resultado mais severo que um conflito de trânsito pode provocar (acesso de raiva, fúria, agressão, revanche). Há uma possibilidade considerável de que o “condutor homicida” tenha alguma disfunção de comportamento, personalidade, inclusive, poderá também ser um indivíduo que apresente um quadro de distúrbios de ordem psiquiátrica. Embora as pessoas que não tenham graves problemas de comportamento e que não pratiquem comportamentos delituosos, possam também ser capazes de “matar e morrer no trânsito”. 

Diante de tantos possíveis comportamentos agressivos, as situações de tensão serão mais presentes, os conflitos e os “conflitos violentos” de trânsito serão muito mais suscetíveis de se perpetuar. A intensidade da resposta emocional poderá ser de ambos os condutores ou de um só deles e esta pode determinar qual tipo de conflito provavelmente ocorrerá, se primário ou secundário (Figura 30).

Tipos de conflitos

Primários (leves): 

Troca de buzinas - Ultrapassagens agressivas - Conflitos de impedimento de movimentação de veículos (um condutor “fechando o outro”) - Competição por troca de faixa sem ou com contato visual entre os condutores (implícita) - Competição por espaço em ultrapassagens sem ou com contato visual entre os condutores - Sinais mútuos de reprovação - Discussão leve - Discussão grave - Troca de ofensas e xingamentos - Reclamação e protesto entre dois condutores ou envolvendo pedestre.

Secundários (graves)

Estes conflitos são chamados de secundários porque geralmente são reflexos dos primários, mas também envolvem violência, agressão e até morte. São eles: as Agressões materiais e físicas leves (ameaça com arma de fogo) - Agressões físicas graves (com uso de arma branca ou objeto) - Agressões mútuas (“brigas de trânsito”) – Homicídios.

Permitida a reprodução do trecho.

Cite a fonte corretamente: RAMALHO, Rodrigo L. Educação emocional no trânsito: o medo e a raiva dos condutores. Salvador: Ideia no papel, 2011. p 54-60.

Referências:

MONTEIRO, Cláudia Aline; GUNTHER, Hartmut. Agressividade, raiva e comportamento de motorista. Psicol. pesqui. trânsito, v. 2, n. 1. Belo Horizonte, 2006.