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CAPÍTULO I

Neste capítulo, iremos conhecer os fundamentos que compõem a base das emoções. Apesar de nos basearmos na neuropsicologia e em outras teorias, investigaremos exclusivamente o comportamento sob a ótica das emoções, o que servirá de base para o entendimento das disfunções do comportamento emocional no trânsito que serão vistas nos próximos capítulos.

Esta abordagem tem o objetivo de trazer um conhecimento essencial sobre a emoção, apresentando conceitos, características e suas funções adaptativas e sociais. Análises do ponto de vista fisiológico e funcional também não irão faltar neste que é o primeiro passo do trabalho que envolve a educação das emoções no trânsito. Consideramos este capítulo fundamental porque nele é que estão contidos os segredos que nos levam para o entendimento do comportamento emocional. Entendendo os mecanismos emocionais é que poderemos intervir conscientemente no seu processamento. 

Somos seres sociais e foi graças ao convívio e a interação com os semelhantes que nós, homo sapiens, conseguimos sobreviver e superar os homo neanderthal. Necessitamos compartilhar e interagir e, para isto, desenvolvemos emoções sofisticadas, como a solidariedade, o altruísmo e a compaixão. Mas, até chegarmos a estes nobres sentimentos, nos utilizamos de emoções tão antigas quanto os primeiros habitantes de nosso planeta. O medo e a raiva, assim como o sexo foram e são mecanismos biológicos que nos auxiliaram em nossa saga evolutiva de sobrevivência e proteção ao longo dos tempos.

Com o advento da sociedade contemporânea de estrutura complexa, a convivência entre os seres humanos traz um novo paradigma e uma nova categoria de problemas: alinhar os sentimentos e as reações emocionais no contexto ético e social ao qual estamos inseridos. Segundo o filósofo Robert Sokolowski, “Desejos provêm os fins, pensamentos provêm os meios”. Esta frase exemplifica a necessidade de adaptação dos desejos e emoções do homem à sociedade.

Em um mundo repleto de transformações, desafios e conflitos, é iminente a necessidade do indivíduo adaptar suas condutas para uma sociedade mais fraterna neste século. Isto só será possível ao se conhecer e educar as próprias emoções, pois estaremos promovendo o fortalecimento dos relacionamentos, a diminuição dos conflitos e aprendendo a respeitar as diferenças. Buscando um convívio pacífico e cooperando é que poderemos criar as verdadeiras condições para, mais uma vez, superar épocas tão difíceis. 

TEXTO ORIGINAL: “Educação Emocional no Trânsito: o medo e raiva dos condutores”. Capítulo I. Página: 1.


EMOÇÃO: CONCEITOS

“Reação organísmica total, coordenada pelo cérebro ante estímulos externos e/ou internos, promovendo condutas adequadas para a preservação da vida, ante ameaças e para a manutenção da espécie” (ACCIOLY; ATHAYDE, 1996, p. 22).

Definir o significado de “emoção” não é uma tarefa fácil: nem mesmo existe uma unanimidade a respeito de seu conceito em toda a comunidade cientifica. A palavra emoção (do latim emovere, movimentar, deslocar), como sua etimologia sugere, induz o movimento, a ação. A ideia de que a emoção é um estado de humor ou temperamento é totalmente equivocada: por muito tempo foi confundida com personalidade, caráter, impulsos, sentimentos e até doenças. Mas, neste trabalho, as emoções serão tratadas de forma científica, enfocando seus aspectos biológicos. Existem diversas definições a respeito, mas, aqui, iremos considerá-las como um conjunto de tendências para determinadas ações e comportamentos, reações manifestas que nos mobilizam para algum tipo de movimento. 

Na citação acima, encontramos a seguinte expressão: “promovendo condutas adequadas” – esse é um ponto-chave quando se busca o entendimento sobre a emoção porque ela promove movimentos e ações que têm como objetivo principal a preservação e a manutenção da espécie. Uma conduta adequada para a preservação é quando, por exemplo, um animal é perseguido por seu predador: ele sente medo e foge ou sente raiva e ataca, defendendo-se. Em ambos os casos, as condutas de fugir durante o medo ou atacar durante a raiva foram em prol de sua sobrevivência ante a ameaça. 

Robert Plutchik sugere que no caso das emoções, estas são "adaptações básicas necessárias a todos os organismos na luta pela sobrevivência individual" e que a seleção ocorreu na era cambriana, há 600 milhões de anos (PLUTCHIK, 1980). As oito adaptações são: incorporação, rejeição, destruição, proteção, reprodução, reintegração, orientação e exploração. Outras emoções, segundo ele, são combinações de duas ou três destas emoções básicas. Alguns exemplos são: a raiva e o nojo, uma mistura para formar o desprezo e medo e tristeza que formam o desespero. Com relação aos níveis de intensidade das emoções, o incômodo pode ser considerado como uma forma mais branda de raiva, diferente da fúria que seria sua face mais letal.

Quando a emoção trata da “manutenção” da vida, podemos citar emoções como o afeto e o sexo que culminam no ato sexual e promovem condutas adequadas para a procriação. Assim, a perpetuação da espécie na existência é garantida, ou seja, estas emoções afastam os indivíduos do perigo a fim de protegê-los, mas aproxima-os, quando conveniente, permitindo que haja a continuação da espécie. 

Segundo alguns autores, as emoções foram aperfeiçoadas para lidar com problemas e desafios específicos que os organismos encontram regularmente. “As pessoas escolhem parceiros, reproduzem, aumentam a prole, evitam a predação, recolhem alimentos e se mantêm em complexos relacionamentos de longo prazo” (BUSS, 1989).

Consideramos correto dizer que as emoções são produtos da evolução (embora, influenciadas consideravelmente pela aprendizagem cultural). A partir dessa perspectiva, são fundamentais para a sobrevivência e para as funções reprodutivas também. Segundo outros autores, "As emoções têm as características de adaptações: elas são eficientes respostas coordenadas que ajudam os organismos a reproduzir, proteger a prole, a manutenção das alianças de cooperação e a evitar ameaças físicas" (KELTNER; HAIDT; SHIOTA, 2006). 

Ao longo da evolução de todas as espécies animais, inclusive do homem, este padrão de sobrevivência foi transmitido através do código genético. Os padrões emocionais de agressividade e medo foram perpetuados porque, graças a eles, os indivíduos puderam fugir de seus predadores, caçar suas presas e vencer seus oponentes nas disputas, fosse pelo alimento, pela fêmea ou pelo território. Hoje ainda é possível identificar algumas heranças desses padrões de comportamento nos homens. Se observarmos alguém que esteja com muita raiva, poderemos vê-lo ranger os dentes, talvez elevar os cantos da boca para exibir os caninos, outras vezes mantendo a contração do maxilar durante a raiva. Seriam vestígios dos antigos hábitos emocionais adaptativos da mordedura dos animais durante o ataque? 

No mundo que conhecemos, não há um equilíbrio perfeito, existe escassez de recursos. Há uma procura por determinados recursos que extrapolam as capacidades existentes. Esta condição parece induzir uma disputa que envolve as partes interessadas nos parcos recursos disponíveis. Este descompasso entre o equilíbrio e o caos pode ser interpretado de diferentes maneiras. Talvez um economista dissesse: “a demanda é maior que a oferta”, “Deus não existe”, afirmasse o ateu. “O mundo é do mais forte”, bradasse o vencedor, “o mundo é injusto”, reclamasse o perdedor. Mas o fato é que, de alguma forma, Deus ou a natureza concebeu um mundo autorregulável. Promoveu as condições necessárias para o controle de sua população, o equilíbrio na oferta de recursos e manteve a sustentabilidade nutricional por meio da cadeia alimentar, um processo de evolução que se dá de forma natural e seletiva, segundo Darwin. Os padrões de respostas emocionais parecem ter suportado grande parte dos comportamentos adequados para que os indivíduos pudessem disputar, vencer, fugir, extinguir-se ou perpetuar-se na existência. 

Permitida a reprodução do trecho.

Cite a fonte corretamente: RAMALHO, Rodrigo L. Educação emocional no trânsito: o medo e a raiva dos condutores. Salvador: Ideia no papel, 2011. p 6-8.

Referências: 

ACIOLLY, Jessé; ATHAYDE, Angelina. Educação emocional: O caminho para a competência emocional. Salvador: Gráfica Santa Helena, 1996.

BUSS, D. M. Sex differences in human mate preferences: Evolutionary hypotheses tested in 37 cultures. Behavioral and Brain Sciences, v.12, 1989. p.1-49.

KELTNER, D.; HAIDT, J.; SHIOTA, M. N. Social functionalism and the evolution of emotions. Evolution and social psychology. New York: Psychology Press, 2006. p. 115–142.

PLUTCHIK, R. Emotion, a psychoevolutionary synthesis. New York: Harper and Row, 1980.